Coluna Mais Saúde

Rejuvenescimento contemporâneo

A BELEZA DO TEMPO BEM CONDUZIDO

Dra. Cristina Monteiro de Barros
Médica Dermatologista
CRM: 133.245 | RQE: 73.917

A dermatologia estética atravessa uma das fases mais refinadas de sua história. Se antes o imaginário do “antiidade” estava frequentemente associado a mudanças marcantes ou a intervenções cirúrgicas, hoje o cenário é outro: a busca passou a ser por resultados elegantes, progressivos e coerentes com a identidade de cada rosto. A grande evolução não está apenas em novas tecnologias — está na forma de pensar. Rejuvenescer, atualmente, é um projeto conduzido com critério, e não um ato isolado.
Essa mudança nasce de um entendimento mais sofisticado do envelhecimento. A pele não envelhece sozinha: com o tempo, há perda de colágeno e elastina, alterações de textura e luminosidade, mudanças na distribuição de volume e, sobretudo, uma tendência à flacidez, que modifica o desenho facial. Por isso, a abordagem moderna é tridimensional. Em vez de “apagar sinais”, o objetivo é reposicionar, melhorar qualidade cutânea e devolver vitalidade — com o mínimo de interrupção da rotina.
Os tratamentos não invasivos e minimamente invasivos ganharam protagonismo justamente por oferecerem equilíbrio entre eficácia e naturalidade. Entre eles, a toxina botulínica se consolidou como um recurso clássico quando o assunto é suavização de marcas dinâmicas — aquelas que aparecem com a expressão. Quando bem indicada, ela preserva a comunicação do rosto e entrega leveza, sem rigidez. Em paralelo, os preenchedores evoluíram: deixaram de ser vistos apenas como “volume” e passaram a ser utilizados como ferramenta de harmonização estrutural. A lógica atual prioriza pontos estratégicos de sustentação e proporção, com uma estética de refinamento, não de exagero.
Ao mesmo tempo, tecnologias de consultório transformaram o que chamamos de “acabamento”: textura, poros, manchas, viço e firmeza. Em uma era em que a pele aparece em alta definição — nas câmeras e na vida real —, o brilho saudável se tornou tão desejado quanto o contorno. Protocolos bem desenhados combinam estímulo de colágeno, melhora de superfície e controle de inflamações silenciosas que envelhecem a pele antes do tempo. O resultado não é um rosto “novo”, e sim um rosto mais descansado, mais alinhado com a melhor versão de si.
É nesse contexto que os fios de sustentação ganharam espaço, com destaque para os fios APTOS. Eles representam uma proposta contemporânea de reposicionamento tecidual, especialmente em casos selecionados de flacidez leve a moderada, quando o paciente deseja uma melhora evidente, porém sem cirurgia. A técnica exige conhecimento anatômico, planejamento de vetores e uma execução precisa — porque o sucesso não depende apenas do fio, mas da indicação correta e da forma como ele é aplicado. O propósito é devolver harmonia ao contorno, redefinir áreas específicas e, ao mesmo tempo, favorecer estímulo local. Em mãos experientes, o resultado costuma ser elegante: melhora de sustentação com preservação da identidade.
Nada disso, porém, funciona como “fórmula pronta”. A evolução mais importante da dermatologia antiidade talvez seja a personalização: idade cronológica não define conduta; o que define é a combinação entre estrutura facial, qualidade de pele, hábitos, histórico e objetivos. O melhor plano é aquele que respeita o tempo — e o paciente. Porque o verdadeiro rejuvenescimento não deveria chamar atenção para o procedimento. Deveria chamar atenção para a presença: pele bem cuidada, expressão viva, traços reconhecíveis e a sensação de que o tempo foi conduzido com inteligência.