
A partir de atuação conjunta com o Ministério Público Federal (MPF), a Polícia Federal deflagrou, na manhã de ontem, dia 14, a Operação Dirus, para investigar suspeitas de direcionamento em contratações e de desvio de recursos públicos da saúde em Nossa Senhora do Socorro-SE. A ação cumpre 32 mandados de busca e apreensão em Sergipe, Rio de Janeiro, São Paulo, Ceará e na Paraíba. As ordens judiciais também foram cumpridas em Colina e Barretos.
O objetivo é apurar possíveis irregularidades na seleção de duas organizações sociais para a gestão de unidades de saúde do município de Nossa Senhora do Socorro, incluindo o hospital de campanha montado na cidade durante a pandemia de Covid-19, em 2020, e uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), entre 2020 e 2026. Há indícios de superfaturamento, com valores cobrados a mais por serviços de limpeza, de gestão e de plantões médicos, além da subcontratação de empresas vinculadas a pessoas ligadas aos próprios gestores das organizações.
Os prejuízos aos cofres públicos são estimados em R$ 15,6 milhões de reais. Além da busca e apreensão, a operação prevê o bloqueio e o sequestro de bens e de valores dos integrantes do esquema até esse limite. Os envolvidos podem responder por organização criminosa, fraude em licitação, peculato, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro, na medida da participação de cada um. Somadas, as penas previstas em lei para esses crimes podem chegar a 43 anos de prisão.
Os mandados de busca e apreensão foram solicitados pela Polícia Federal à Justiça, com manifestação favorável do MPF. Eles foram cumpridos nas sedes das organizações sociais, nas empresas envolvidas e na residência dos investigados.
As investigações foram instauradas como desdobramento de auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU), que identificou elementos de superfaturamento e mau uso de dinheiro público nos contratos. Hoje, o trabalho conta com a participação do MPF na frente judicial, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado em Sergipe (Gaeco/SE), da PF e da própria CGU.












