
Vigário Paroquial
São João Batista – Olímpia
Nesta vivência do Ano da Fé em nossa Diocese, o que mais se ouvirá dizer é que precisamos professar a nossa Fé. Professar o “Creio” não é apenas recitar uma fórmula decorada, mas assumir, com consciência e amor, o núcleo da fé cristã.
Cada vez que o cristão proclama o Credo, ele reafirma sua identidade, sua pertença à Igreja e sua confiança em Deus. O “Creio” é, ao mesmo tempo, oração, declaração e compromisso.
A Origem e a Comunhão da Fé
Desde os primeiros séculos, a Igreja reconheceu a necessidade de sintetizar a fé recebida dos apóstolos. Assim nasceu o Credo, especialmente o Credo Apostólico e o Niceno-Constantinopolitano, que expressam de forma clara e profunda aquilo que cremos.
Ao proclamá-lo, não estamos apenas repetindo palavras, mas entrando em comunhão com toda a Igreja, em todos os tempos e lugares. O início do Credo já revela sua profundidade: “Creio em Deus Pai todo-poderoso”. Essa afirmação é um ato de confiança.
Crer é Confiar e Entregar-se
Crer é confiar, é entregar-se, é reconhecer que não estamos sozinhos. Em um mundo marcado por incertezas, professar a fé é afirmar que nossa vida está nas mãos de Deus. Mais do que um conjunto de verdades, o Credo é um encontro com a pessoa de Jesus Cristo.
Cada artigo nos conduz ao mistério da salvação:
- A encarnação;
- A paixão e morte;
- A ressurreição do Senhor.
Ao professar a fé, o cristão não apenas recorda esses acontecimentos, mas se deixa transformar por eles.
“Crer é aderir com o coração àquilo que se professa com os lábios.” — Santo Agostinho
Essa frase nos recorda que a fé não pode ser apenas exterior. Não basta dizer “Creio”; é necessário viver como quem crê. A profissão de fé precisa se traduzir em atitudes concretas: na caridade, na esperança e na fidelidade a Deus.
O Credo na Liturgia e na Vida Espiritual
Na liturgia, especialmente na Santa Missa, o momento do Credo é profundamente significativo. Após ouvir a Palavra de Deus, a comunidade responde professando a fé. É como dizer: “Senhor, acreditamos naquilo que nos revelaste”. Esse ato fortalece a comunhão entre os fiéis e renova o compromisso de viver o Evangelho.
Além disso, o Credo também é uma arma espiritual. Em tempos de dúvida, crise ou tentação, professar a fé ajuda a firmar o coração. Rezar o “Creio” com consciência é reafirmar que Deus é maior que qualquer dificuldade.
Um Resumo Luminoso
Santo Tomás de Aquino ensinava que o Credo é como um resumo luminoso da fé cristã, capaz de orientar a inteligência e fortalecer a vontade. Ele ilumina o caminho, recorda a verdade e conduz à vida eterna.
No cotidiano, o cristão é chamado a viver aquilo que professa:
- Dizer “Creio na Igreja” implica amar e servir a comunidade.
- Dizer “Creio na vida eterna” muda a forma de encarar as dificuldades do presente.
Conclusão: Um Caminho de Renovação
Assim, professar o “Creio” é renovar diariamente a própria fé. É declarar, com humildade e confiança, que Deus é o centro da vida. É assumir um compromisso de viver segundo o Evangelho.
No fim, o “Creio” não é apenas uma oração: é um caminho. Um caminho que começa nos lábios, desce ao coração e se torna vida.














