Todos os dias 95 profissionais são afastados por saúde mental

O entrevistado do programa “Conexão Tudo de Bom” da última terça-feira, 16, foi o professor e escritor Arthur Vinícius Feitosa Furtado. Na ocasião, ele apresentou sua terceira obra: “Queimem todos os professores – contos do labirinto pedagógico-burocrático”.
Com 15 anos de trajetória nas áreas de Letras e Pedagogia, Furtado leciona atualmente em duas instituições de Bebedouro: na ETEC e no Colégio Delta. Durante a entrevista, o autor foi além da obra literária, compartilhando reflexões contundentes sobre a realidade da sala de aula no Brasil.
A obra: Realidade por trás da ficção
Com um título provocativo, o livro transita pelo gênero da fantasia, mas mantém os pés fincados na realidade enfrentada pelos docentes diariamente. Segundo o autor, a obra busca sensibilizar diferentes públicos:
“A intenção é que o professor se reconheça e quem não é da área entenda que o processo de alfabetização no Brasil é totalmente disfuncional.”
Furtado destaca que a profissão docente enfrenta ataques sistemáticos que impedem o exercício básico do magistério: o ensinar. O professor explica que a categoria se sente “amarrada e emparedada”, com profissionais desconhecendo a complexidade das situações absurdas que ocorrem dentro do ambiente escolar brasileiro.
Magistério em crise: Burocracia e saúde mental
Um dos pontos centrais da entrevista foi a falta de estratégias eficazes para combater a violência e a indisciplina nas escolas. O escritor aponta um ciclo vicioso que desvaloriza o trabalho pedagógico:
- Pressão por resultados: Existe uma cobrança constante para que não haja reprovação, visando a manutenção de bônus e o preenchimento de metas.
- Excesso de burocracia: Grande parte do tempo docente é consumida por planilhas e relatórios, em detrimento do estudo e do planejamento pedagógico.
- Saúde mental: O cenário é alarmante, com a média de 95 professores afastados diariamente em todo o Estado de São Paulo devido a problemas relacionados à saúde mental.
A Precarização do ensino
Ao abordar a precarização da carreira, o autor aponta desafios estruturais críticos, como a superlotação das salas de aula.
“As salas estão lotadas com 40 alunos ou mais, com todos os tipos de dificuldades. Enfrentamos lacunas de aprendizagem de 3 a 4 anos e alunos do Ensino Médio que apresentam uma escrita equivalente ao Fundamental 1, muitas vezes sem nenhum tipo de laudo que justifique essa defasagem”, finalizou.
Assista à entrevista completa
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A entrevista completa está disponível nas redes sociais da 105 FM Colinense. Acesse o nosso [YouTube] e [Facebook] para conferir o conteúdo na íntegra.















