Vereador faz declarações reveladoras dos bastidores da política colinense

A entrevista de Luiz Gustavo “Montanha”, no “Conexão Tudo de Bom” do último dia 9, foi um desabafo do professor e vereador, que deu o voto decisivo na votação das contas do ex-prefeito Dieb, referentes ao exercício financeiro de 2023, que foram rejeitas por 8 votos a 3 em sessão extraordinária realizada no final de setembro. Montanha, que está no 2º mandato, também integra a comissão de finanças, juntamente com os vereadores Valter “Lobinho” e Célia.
“Com a reeleição você ganha maturidade, postura política e uma confiança, principalmente quando percebi que os meus votos tem uma ligação com o grupo político do ex-prefeito que eu votei contra as contas. O que não pode ter é falta de lealdade. As mesmas críticas que recebo desse grupo político eu não recebi em elogio quando eu defendi o Dieb por quatro anos lá dentro da Câmara. Ele foi injustiçado, o defendi várias vezes e não recebi uma ligação e agora também não venha me ligar”, desabafou Montanha na entrevista.
O vereador deixou um recado: “A Câmara foi uma escolha histórica, talvez nunca tenha acontecido isso dentro dessa conjuntura, foi muito corajosa em ser tão imparcial. A Câmara votou contra as contas do Dieb, avaliem com os mesmos critérios as contas do Mi. É fácil votar agora contra o Dieb, só quero ver quando as contas do Mi forem para lá”.
A sessão extraordinária para votação das contas de Dieb, referente ao exercício de 2024, acontece hoje (22).
ERROS E MAIS ERROS
Ele também fez declarações reveladoras que acontecem nos bastidores da política colinense. “Tem uma pessoa que saiu candidata contra o Dieb e que grita na Rua 7 de Setembro, literalmente, que ele não presta, que vota e sai candidata do lado da oposição. Chega com um processo feito às mãos de todos os grupos políticos, é protocolado pelo presidente que depois saiu de vice do Mi”.
A dívida milionária da prefeitura referente a falta de pagamento de encargos trabalhistas também foi assunto da entrevista. “Está certo não pagar guia de INSS de funcionário público? Negociar com a Previdência, não pagar a primeira parcela e depois tem as de 24 que vai contratar uma empresa para resolver o problema. Agora tem uma dívida de quase R$ 6 milhões na prefeitura que o Mi usou como justificativa do cancelamento da Festa do Cavalo deste ano”, revelou Montanha que rebateu: “Dinheiro do funcionário público de direito não se mexe, reincidências históricas de erros e mais erros da administração financeira básica apontados várias vezes, que vai passar pela atual administração e chegar as contas do Mi também”. O vereador continua: “Pega uma reincidência histórica de quase 30 anos de erro. Eu nunca fui prefeito, nunca tive a oportunidade de pagar guia de INSS, mas estou tendo oportunidade de votar uma ‘cagada’ administrativa de não pagar essas guias. Suplementá-las lá na Câmara e dividir o dinheiro em rubrica, todo fragmentado”.
ESTRUTURA INTERESSANTE
Montanha não para por aí e abre o jogo. “Tem muita gente habilidosa na prefeitura, é uma estrutura muito interessante. Pela forma que veio as suplementações, eu não me sinto culpado. Culpados são os profissionais que fizeram aquilo chegar à Câmara da forma que chegou e passou. A habilidade histórica de décadas não só de quem coloca a cara na urna, que é um símbolo de uma estrutura, mas muita gente trabalha por ela” e acrescenta: “O Tribunal de Contas foi a favor das contas com ressalvas, não é só erro do Dieb que estava lá. Quando figuras como Dieb e Mi vencem uma eleição, não que são pessoas ruins, são muitos anos mantendo e alimentando umas estruturas onde alguns já se sentem maiores que os próprios candidatos. Tem muita gente grande demais que tem que dar espaço”.
“Colina deve muita gratidão a essas duas figuras chamadas Mi e Dieb, não há importância maior entre um e outro, os dois transformaram essa cidade, desempenharam um bom trabalho. Não estamos falando da questão da qualidade de trabalho, mas como naturalmente tudo é levado ao campo político. Esses conflitos, devido ao tempo que essas figuras estão disputando o poder, já se transformaram em algo que não é mais benéfico até para o Mi e o Dieb trabalharem tranquilamente”.
É HORA DE ARRISCAR-SE
Perguntando sobre novos nomes na política colinense para prefeito, Montanha citou: “O fim da dupla Dieb e Mi é como término de casamento, só briga judicial. E se eles se engolirem e se tiverem os dois fora da urna, se um se salvar e outro não. Quem é o vice do Dieb e do Mi, vai manter, vai trocar, vai puxar nome novo? Quem é o novo do grupo do Dieb? O Daniel vai manter a aliança com o Tutu ou vai buscar algo novo? É difícil tirar uma conclusão minha levando em consideração o tanto de problema que esses grupos políticos de Colina estão tendo para montar suas próprias chapas. Temos que ter postura em relação a tudo isso. O político dentro da Câmara, na internet ou na rua do seu bairro que tiver coragem é hora de vir e arriscar alguma coisa. Lembrando que depois da eleição tem que ter governabilidade”.
TENDÊNCIA
A mudança revelada nas urnas no 1º turno são uma tendência que também será refletida nas eleições municipais. “Muitos deputados estadual e federal, que tiveram voto em Colina, não tinham ligação com grupos políticos que estavam levantando votos para eles aqui, como a Érica Hilton, a mais votada, que se levantou para fazer frente a toda monstruosidade que foi a eleição onde temos mais da metade do Congresso de direita. O povo chegou para a direita brasileira e disse vamos te dar o Senado, a Câmara dos Deputados, os governos e as câmaras estaduais de todos os Estados, só falta o presidente. Situações que necessitam de maioria simples dentro do Congresso não precisa nem negociar com o Centrão, vai governar do jeito que quer”.
Todo esse poder na direita também reflete preocupação para Montanha, que frisou que “o poder está no povo”. Ele também destacou o candidato à presidência por Colina. “O Augusto Cury foi extremamente precipitado e se tem pretensão futura de voltar à candidatura a presidente, essa declaração de apoio ao Flávio acaba com suas chances. Vai acontecer igual com a Simone Tebet, o Augusto também está fazendo essa escolha”.
Montanha finalizou dizendo que o Brasil está vivendo o clímax, o auge da sua história e que este é o ano da mudança. Assista a entrevista completa nos canais Rádio105fmcolinense e ou Conexao TudoBom no Youtube ou 105 FM Colinense no Facebook.














