Impactos deixam comerciantes desolados e apreensivos

Esta é a primeira vez em mais de quatro décadas que a Festa do Cavalo, que atingiria sua 47ª edição neste ano, não é realizada. O cancelamento, devido à situação financeira do município, foi anunciado pela prefeitura pouco tempo antes do início do evento e a notícia causou um impacto inesperado em toda a população, principalmente aos comerciantes.
A festa deveria ter começado ontem e seus efeitos já estavam sendo sentidos com a circulação maior de pessoas, que aproveitam as férias para curtir a festa, dos visitantes que prestigiam a cidade e das dezenas de famílias e ambulantes que ficam hospedadas em Colina para acompanhar e participar das provas hípicas.
Infelizmente, o cenário é de desolação por parte da população que ficou sem festa e das empresas da cidade, lojas e rede hoteleira que ficaram sem clientes e hóspedes o que representa prejuízo porque já contavam com o aquecimento das vendas e da lotação nas vagas de hospedagem.
Outros setores afetados diretamente sem a festa são os supermercados, restaurantes, lanchonetes, trailers e bares que também já tinham se programado para o aumento do público comum nos primeiros dias de julho.
A reportagem procurou alguns lojistas e todos se mostraram apreensivos porque investiram na compra de mercadorias aguardando pela realização da festa e agora não sabem o que fazer. O receio é que não consigam vender os produtos e tenham que arcar com os prejuízos.
Além da alta carga tributária excessiva, que leva embora grande parte do lucro, os comerciantes geram empregos e renda para as famílias colinenses, contribuem com campanhas e eventos promovidos na cidade. Os lojistas são os primeiros a serem procurados, mas os últimos a serem ajudados. Esse é o sentimento de desilusão e revolta de muitos dos entrevistados, que preferiram se manter no anonimato por razões óbvias.
Nas conversas com os comerciantes, a reportagem sentiu um desabafo da categoria que já tem sofrido com tantos problemas e que terá que lidar com mais esse golpe inesperado e que terá reflexos na economia da cidade.
DURO GOLPE
A reportagem também procurou pela ACIC, associação que representa a categoria que, por meio de nota, esclareceu que os comerciantes estão temerosos com o cancelamento da festa e receiam pelos prejuízos que, certamente, virão. “Muitas lojas já tinha comprado mercadoria para a festa porque isso tem que ser feito de forma antecipada. Ninguém imaginaria que a festa pudesse ser cancelada porque isso nunca aconteceu e o Concurso da Rainha até já tinha sido realizado. Houve também o anúncio da entrada gratuita todos os dias ao público, ou seja, não havia hipótese de cancelamento. Esse foi um duro golpe para o comércio, de uma forma geral, que investiu em mercadorias que terão que ser vendidas em um prazo maior”, ressalta a nota.
MANUTENÇÃO DAS PROVAS
O empresário e corretor de imóveis Fábio Ferreira não concorda que as provas hípicas da festa tenham sido canceladas e que as mesmas deveriam ter sido mantidas. “Sei que o maior público da Festa do Cavalo é atraído pelos shows. Também sei que a festa não seria a mesma sem eles. Mas a pergunta que fica é: por que não manter pelo menos as provas hípicas? A Festa do Cavalo nasceu baseada no hipismo e na tradição equestre. Se os shows não podem acontecer, por que abandonar justamente a essência da festa? As inscrições já estavam feitas, baias alugadas, hotéis reservados e dezenas de competidores organizados para participar. Muitos alunos de projeto treinam o ano inteiro esperando por esse momento, a maioria dos competidores vem para participar das provas pela tradição do nome da Festa. Cancelar tudo, sem preservar ao menos as competições, é desrespeitar quem mantém viva a verdadeira tradição da Festa do Cavalo. É difícil aceitar que a cultura e o esporte fiquem em segundo plano quando são justamente eles que deram origem a esse evento”, declarou Ferreira que fez questão de manifestar seu posicionamento.
O prefeito Mi, procurado pela reportagem, disse que o cancelamento da Festa do Cavalo será o assunto de entrevista que concederá, em momento oportuno, ao Grupo Colinense de Comunicação. Ele só foi categórico em dizer que todos os serviços, salário dos servidores e pagamento de precatórios seguem em dia.












